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Considerações Sobre o Calendário

 

Prefácio

O estudo apresentado contém informações sobre o Calendário Judaico, Parashiot, Haftarot e leituras complementares da Brit Hadashah. Visa contribuir e facilitar as consultas semanais para nossos estudos.

Histórico Simplificado dos Calendários
Ao longo dos séculos, a humanidade desenvolveu diversos calendários. O objetivo inicial era prever as estações, determinar épocas ideais para plantio e colheitas ou mesmo estabelecer quando deveriam ser comemorados feitos militares ou realizadas atividades religiosas.

O primeiro calendário baseava-se na lua. Para muitos povos antigos, como o de Atenas, Jerusalém ou Babilônia, um novo mês era anunciado quando ao anoitecer surgia nos céus a lua crescente, celebrada com tochas e fogueiras. Seguindo essa tradição até hoje, o dia começa ao pôr-do-sol para os judeus, não à meia-noite.

Para medir os ciclos, muitos povos valeram-se da lua, outros do sol. Em ambos os casos defrontaram-se com dificuldades. O Ano Trópico, intervalo de tempo em que a Terra leva para completar seu trajeto orbital completo em torno do sol, corresponde a 365,242199 dias.

Como nos calendários o ano é estabelecido em anos inteiros, surge uma diferença (0, 242199 dias se o calendário for de 365 dias), que vai se acumulando ao longo do tempo, transformando-se em erro de dias inteiros ou semanas.

Para corrigi-los são incluídos de tempos em tempos, dias extras (29 de fevereiro, em anos bissextos) ou mesmo meses, caso do calendário Judaico.

O Calendário Judaico começa com Adão
O calendário judaico parte de uma perspectiva universal: o nascimento da espécie humana. Os judeus estão agora no oitavo século do sexto milênio (por exemplo, o ano 2007 corresponde ao ano 5767).

Particularidades
O calendário judaico, sem dúvida alguma, é um dos sistemas de mensuração do tempo mais antigo e de maior precisão existente. Todos os eventos e comemorações de festividades são sempre comemorados na mesma data em todos os anos no calendário judaico.

É lunissolar
Os anos estão relacionados com o movimento da Terra em torno do sol e os meses com o movimento da lua em torno da Terra.

O calendário judaico possui uma seqüência de meses baseada nas fases da lua (meses lunares), com anos solares (são levadas em conta as estações do ano). É composto de 12 ou 13 meses. Para se ajustar os meses ao ano solar, intercala-se um mês aos anos 3, 6, 8, 11, 14, 17 e 19 de um ciclo de 19 anos. Os meses são fixados alternadamente contendo 29 e 30 dias, nunca mais ou menos.

O mês lunar medido com precisão tem 29, 53059 dias. Isto significa um ano de 354, 36708 dias menor, portanto onze dias, que o ano solar (calendário gregoriano) de 365, 242199 dias.

Simplificando, o padrão para todas as fórmulas de calendários judaicos estrutura-se em seis tipos:
Três para os chamados anos comuns (normais), com 353, 354 e 355 dias;
Três para os chamados embolísmicos, com 383, 384 e 385 dias.

Informações Suplementares
O ano do calendário judaico compõe-se de 354 dias dividido em doze meses de 29 e 30 dias alternadamente, denominado "regular". Mas como já explicamos acima, em alguns anos deve-se acrescentar ou subtrair um dia de um dos meses. Este dia é adicionado ao mês de Cheshvan (30 no lugar dos costumeiros 29) - o ano é chamado de "completo".

Quando o dia é subtraído, é retirado do mês de Kislev (29 dias no lugar do normal 30) o ano é chamado de "incompleto".
Assim, o ano normal de 12 meses poderá ter 353, 354 ou 355 dias, enquanto o ano embolísmico teria 383, 384 ou 385 dias. Observe a tabela abaixo:

MÊS DIAS DIAS DIAS DIAS DIAS DIAS
Nissan
Março/Abril
Início Ano Religioso
30 30 30 30 30 30
Iyyar
Abril/Maio
29 29 29 29 29 29
Sivan
Maio/Junho
30 30 30 30 30 30
Tammuz
Junho/Julho
29 29 29 29 29 29
Av
Julho/Agosto
30 30 30 30 30 30
Elul
Agosto/Setembro
29 29 29 29 29 29
Tishrei
Setembro/Outubro
Inicio Ano Cívil
30 30 30 30 30 30
Cheshvan
Outubro/Novembro
29 29 30 29 29 30
Kisley
Novembro/Dezembro
29 30 30 29 30 30
Tevet
Dezembro/Janeiro
29 29 29 29 29 29
Shevat
Janeiro/Fevereiro
30 30 30 30 30 30
Adar I
Fevereiro/Março
___ ___ ___ 30 30 30
*Adar II
Março/Abril
Mês extra nos anos bissextos
29 29 29 29 29 29
  353
dias
354
dias
355
dias
383
dias
384
dias
385
dias
(*) No ano normal, este mês é denominado simplesmente Adar

O primeiro mês do calendário judaico é o mês de Nissan, quando temos a comemoração da Festa de Pessach, mas observe que o Ano Novo Judaico (Rosh Hashanah) ocorre no mês chamado Tishrei (sétimo mês do calendário judaico).

Rosh Hashanah começa sempre ao pôr-do-sol, (18h00min, para efeito do calendário), assinalando também o começo do mundo, segundo cálculos levantados em textos bíblicos por Ibn Daud na Espanha medieval, baseando-se também no Talmud, e nos Pirkei Vot (relatos dos sábios).

O referencial usado por Daud foi o profeta Abraão, que teria vivido há mais de 3.200 anos. Somam-se todos os anos mencionados na Bíblia antes de Abraão, até o primeiro capítulo do livro de Gênesis, onde se lê: "E D'us disse: Era noite, era dia". Aliás, é com base nesta frase que o Rosh Hashanah começa ao entardecer.

O calendário forma ciclos de 19 anos, aos quais se acrescenta o 13º mês de Adar II. O mês suplementar é intercalado nos anos 3, 6, 8, 11, 14, 17 e 19 de cada ciclo. A partir de 1250 d.c o início do ano acontece nos primeiros dias do mês de Tishrei.

Importância das Informações Suplementares
A Torah exige a comemoração das festas em suas datas fixas, nas suas respectivas estações, estipuladas por D'us. Como o calendário judaico é o lunar, com onze dias a menos que o calendário solar, as festividades estariam atrasadas cerca de onze dias a cada ano.

A Festa de Pessach, que por mandamento deve ser celebrada na Primavera (considerando as estações de Israel), cairia no meio do Inverno; Sucot que é no Outono, seria celebrada em pleno Verão e assim por diante. Por isso, o calendário judaico não ignora o sistema solar que determina as quatro estações do ano, não deixando os onze dias e as frações para trás.

A solução é fazer com que estes se acumulem até inteirar um mês, quando, então, são adicionados ao ano lunar. Assim é que nestes referidos anos temos dois meses de Adar: Adar I e Adar II. Este ano é denominado embolísmico. reorganizado em pequenos ciclos de dezenove anos, cujas datas se coincidem com as do calendário gregoriano. Os anos embolísmicos são formados no terceiro, sexto, oitavo, décimo-primeiro, décimo-quarto, décimo-sétimo e décimo-nono anos desse ciclo.

Revisando: O calendário judaico é reorganizado em pequenos ciclos de dezenove anos, cujas datas se coincidem com as do calendário gregoriano. Os anos embolísmicos são formados no terceiro, sexto, oitavo, décimo-primeiro, décimo-quarto, décimo-sétimo e décimo-nono anos desse ciclo.

A Torah ( )
“E no primeiro dia do sétimo mês, Esdras, o sacerdote, trouxe a Torah perante a congregação, composta por homens e mulheres capacitados a compreender o que lhes fosse apresentado. E ali, na praça localizada em frente ao portão das Águas, ele a leu, começando cedo pela manhã e seguindo até o meio-dia, perante os homens e as mulheres que a podiam compreender; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos à Torah” (Ne 8: 2,3).

Torah, também conhecida como Chumash ou Pentateuco, é o conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia Sagrada que são:

Os nomes que derivam do grego estão relacionados com o conteúdo, enquanto as denominações hebraicas são constituídas pela primeira ou principal palavra do início de cada livro.
A autoria do Pentateuco é atribuída a Moisés, que o escreveu sob inspiração divina. Contém a história do homem, a origem do povo hebreu e toda sua legislação civil e religiosa, finalizando com a morte de Moisés.

Quanto à autoria dos oito versículos finais da Torah, que tratam da morte e sepultamento de Moisés (Devarim/Dt 34:5), atribui-se a Josué, seu sucessor, que acompanhou seu mestre até os últimos momentos.

A Torah contém cinco mil oitocentos e quarenta e cinco versículos (5845). Está dividida em 54 porções (Parashiot) lidas semanalmente a cada sábado, e que correspondem as semanas do ano judaico, seguindo o sistema lunar e não o solar.

Cada porção é chamada Parasha ( ). Para cada porção, há uma leitura complementar extraída do Primeiro Testamento chamada: Haftarah ( ). Nas informações abaixo trataremos mais especificamente de cada um desses itens.

Significado da Palavra Torah
Palavra tradicionalmente entendida, sob o conceito cristão, como lei. A deturpação do conceito Bíblico Torah (instrução e ensino), em muito contribuiu para que esta fosse colocada numa posição de contraposição ao evangelho.

É sabido que a palavra Torah designa uma linguagem de conversação da época do Primeiro Testamento e de ensinamentos dos pais na intenção de instruir seus filhos nos caminhos da vida, advertindo-os ante as ciladas da morte.

Em todos os seus demais usos, a palavra Torah abrange: informação, orientação, instrução, estabelecimento de normas, condutas de vida, promessas e desafios.

Parashah ou Parshah ( )
É o nome dado à porção semanal dos textos que compõem a Torah. No hebraico e no singular é Porção (Parashah), no plural Porções (Parashot).

Os estudos das Parashiot Ha-Shavuah (Porções Semanais da Torah de cada Shabat) existem desde tempos antigos. Após o retorno dos judeus do cativeiro babilônico, em cada cidade organizou-se uma sinagoga (reunião de pessoas ou lugar de reunião) para estudo da Torah, dos Neviim, e dos Ketuvim.

Cada Parashat HaShavuah inicia com uma palavra. Toda porção vai estar correlacionada de forma direta ou indireta a ela, como se nela estivesse centrada a mensagem daquela referida porção.

Haftarah ( )
Leitura conclusiva da Torah onde são lidos os Ketuvim ( ) - Livros de Sabedoria e Históricos como: Provérbios, Salmos, Cantares, Reis, Crônicas, Josué, entre outros - e os Neviim ( ), Livros dos Profetas.

O texto da Haftarah trata geralmente de assunto similar ao do texto da Torah e ao qual corresponde. Podemos encontrar a palavra Haftarah (singular) e Haftarot (plural).

Existem diversas opiniões quanto à primeira data em que se adotou o costume de ler a Haftarah. O Rabino Abudarham remonta este costume ao tempo das perseguições, sob o reinado de Antíoco Epifânio IV (168-165 a.e.c), em que havia proibição da leitura da Torah, mas com a liberdade da leitura dos livros dos profetas. A leitura da Haftarah foi estabelecida de forma permanente, mesmo depois de extinta a proibição da leitura da Torah.

O número de versículos lidos na Haftarah são no mínimo vinte e um (21), aos sábados, e quinze (15), nas festas. A palavra Haftarah também significa conclusão, despedida ou permissão para despedir-se da Leitura da Torah.

Brit Hadashah ( )
É composta dos evangelhos (narrativas acerca de Yeshua) e dos demais Livros do Segundo Testamento. Complementa os textos da Torah e da Haftarah.

Na Brit Hadashah observamos a concretização do início da Nova Aliança profetizada por Jeremias, Ezequiel e Oséias, na morte e ressurreição de Yeshua HaMashiach (Jesus, o Messias).

A visão da Brit Hadashah é unificadora: União de todos os povos, judeus e não judeus, numa só família espiritual.

Conclusão
O ciclo de estudos das Parashiot inicia-se no mês de Tishrei, quando Rosh Hashanah ( ) Ano Novo Judaico é celebrado. Corresponde, em nosso calendário ocidental, ao mês de Setembro/Outubro (a Bíblia Sagrada segue o calendário lunar).

A cada ano é iniciado um novo Ciclo de Estudos da Torah em Parashiot. A cada Ciclo há um aprofundamento, pois a Torah se faz nova a cada manhã.

 

 

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